sábado, 28 de janeiro de 2012

Vale a pena conferir

Durante o 8º Encontro Nacional Fé e Política, "Em Busca da Sociedade do Bem Viver”, realizado na cidade de Embu das Artes, a Mesa da Plenária Temática 16 – "Meios de Comunicação Social: Controle e Democratização”, suscitou uma questão relacionada ao acesso às notícias e opiniões do ponto de vista popular e democrático, acesso este não proporcionado pelos meios de comunicação de massa e grandes portais da Internet. Esta visão do ponto de vista da elite econômica e social, por muito tempo, foi a única possível de ser ‘consumida’ pelo povo, incluindo os representantes dos movimentos sociais.
Hoje, com o acesso às novas mídias, particularmente a eletrônica, muitos jornalistas, organizações sociais e populares puderem colocar suas vozes, por meio de textos, vídeos, fotos, à disposição de uma gama cada vez maior e mais considerável de movimentos e pessoas interessadas em romper a barreira do ‘pensamento único’. Centenas de Blogs e Sites agora expressam no mundo virtual estes novos saberes e informações, que podem ser compartilhadas pelos que até então não tinham vez e voz.
Como contribuição a este rico processo, apresentei aos participantes da Mesa sobre comunicações, alguns exemplos de comunicadores progressistas e de Esquerda que servem como fontes extremamente úteis, de agências, sites e jornais eletrônicos que mantém conteúdos livres (os chamados copylefts – que podem ser copiados sem pagamento de direitos autorais). Estes sites produzem conteúdos livres que fogem do senso comum e dos preconceitos do PIG (Partido da Imprensa Golpista) e dos interesses capitalistas dos grandes meios de comunicação.
Muitos blogs e sites progressistas defendem boas causas, como a Reforma Agrária, a Democratização dos meios de comunicação, as Rádios Comunitárias, etc., mas na hora de repassarem notícias, ficam publicando conteúdo pirateado da Folha de S. Paulo, da Veja, do Estadão, da Globo. Além de isto ser ilegal (pode dar processo por uso indevido de conteúdo protegido por Copyright - direitos exclusivos e reservados), na prática acabamos contribuindo para a reprodução do pensamento hegemônico, que criminaliza os movimentos sociais, que chama os sem-terra de "invasores" da propriedade privada, que ataca sistematicamente os governos democráticos e populares, que ataca a igreja progressista, enfim, que mesmo subliminarmente, ou escancaradamente (caso da Revista Veja) atacam os trabalhadores e seus interesses.
Para evitar 'revender' as ideias conservadoras, capitalistas e antipovo, sugerimos que os sites e blogs progressistas abasteçam-se de notícias livres nos muitos endereços existentes hoje na Internet, de companheiros jornalistas e/ou de diversos segmentos, dos movimentos populares, até setores independentes do poder judiciário. Fizemos uma lista inicial destes sites e blogs, cujo conteúdo pode ser reproduzido livre e legalmente. Vejam a listagem a seguir.
SITES E BLOGS PARA UMA NOVA PERSPECTIVA DA INFORMAÇÃO E DA COMUNICAÇÃO
http://www.brasildefato.com.br
(Jornal Brasil de Fato Online. Um dos mais importantes veículos de comunicação de esquerda no Brasil, tanto em sua versão impressa como na versão online. Seu lema: "Uma visão popular do Brasil e do Mundo". Conteúdo livre. O Jornal Brasil de Fato foi lançado no Fórum Social Mundial de Porto Alegre, em 25 de janeiro de 2003. Por entender que, na luta por uma sociedade justa e fraterna, a democratização dos meios de comunicação é fundamental, movimentos sociais como o MST, a Via Campesina, a Consulta Popular e as pastorais sociais criaram o jornal Brasil de Fato, para contribuir no debate de idéias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais em nosso país. Plural e diversificado, Brasil de Fato reúne jornalistas, articulistas e intelectuais do Brasil e do mundo.
http://agenciabrasil.ebc.com.br
(Portal Oficial do Governo Federal, com noticiário que não se limita às informações governamentais. Também fala dos grandes temas nacionais e internacionais. Tem editorias de Cidadania, Economia, Educação, Justiça, Meio ambiente, Internacional, Política, Saúde, Nacional, Esporte, Cultura, Pesquisa e Inovação. Conteúdo variado, amplo e livre de direitos autorais)
http://www.cartamaior.com.br
(Auto-intitulado, com justiça, como um dos maiores portais de esquerda, com notícias e artigos de opinião da maior qualidade. Entre os colaboradores do portal, nomes como os de Eduardo Galeano, Emir Sader, Leonardo Boff, Mauro Santayana, Gilberto Maringoni, Maria Inês Nassif, entre outros)
http://www.redebrasilatual.com.br
(Rede Brasil Atual - rede de comunicações dos trabalhadores, agência nacional de notícias e responsável pela Revista do Brasil. Conteúdo livre. Ligada à CUT - Central Única dos Trabalhadores)
http://www.radioagencianp.com.br
(Conteúdo livre em texto e áudio. Excelente ferramenta para Rádios Livres e Comunitárias, devido a seu foco maior na área, com entrevistas e reportagens gravadas para reprodução)
http://www.adital.com.br/site/index.asp?lang=PT&
(Adital - Agência de Informação Frei Tito para América Latina é uma agência de notícias que nasceu para levar a agenda social latino-americana e caribenha à mídia internacional. Quer estimular um jornalismo de cunho ético e social. Quer favorecer a integração e a solidariedade entre os povos. Desvenda para o mundo a dignidade dos que constroem cidadania. Dá visibilidade às ações libertadoras que o Deus da Vida faz brotar nos meios populares. Divulga o protagonismo dos atores sociais que são nossas fontes de informação e são democratizadores da comunicação)
http://www.outraspalavras.net
(Outras Palavras - Comunicação compartilhada e Pós-capitalismo – EM MUDANÇAS! Em torno dele existe um grupo de colaboradores, uma rede social e uma série de oficinas para formação em jornalismo colaborativo)
http://diplomatique.uol.com.br
(Nascido em 1954 na França, Le Monde Diplomatique é publicado em 25 idiomas e tem uma tiragem de 2,4 milhões de exemplares. Tornou-se também uma referência mundial para indivíduos, movimentos e organizações que buscam transformações sociais e humanas e discutem alternativas ao status quo. Suas páginas trazem à luz questões altamente relevantes, muitas vezes negligenciadas pela grande imprensa, contribuindo para a crítica ao pensamento único e para a construção de novos paradigmas)
http://www.vermelho.org.br
(Portal Vermelho. Vermelho é uma página mantida e gerida pela Associação Vermelho, entidade sem fins lucrativos, em convênio com o Partido Comunista do Brasil - PCdoB. Portal de Notícias de interesse do país, com viés de esquerda)
http://www.midiaindependente.org
(Centro de Mídia Independente. Conteúdo compartilhado por dezenas de jornalistas e colaboradores do Brasil e de outros países. Conteúdo livre, com muita combatividade e conteúdo diversificado. Cobre movimentos sociais com profundidade e competência. Aberto a novos colaboradores e participantes)
http://www.reporterbrasil.org.br
(Portal de Notícias sobre o mundo do trabalho. Missão principal da Repórter Brasil: Identificar e tornar públicas situações que ferem direitos trabalhistas e causam danos socioambientais no Brasil visando à mobilização de lideranças sociais, políticas e econômicas para a construção de uma sociedade de respeito aos direitos humanos, mais justa, igualitária e democrática. Conteúdo livre)
http://www.revistaforum.com.br
(A revista Fórum outro mundo em debate é uma publicação mensal, de circulação em bancas de todo país. Mantém a página RevistaForum.com.br que traz, além de sua versão eletrônica, notícias e conteúdos diários, com análises e informações mais quentes sobre eventos políticos, econômicos e sociais. Inspirada no Fórum Social Mundial, foi lançada com a cobertura do primeiro evento, realizado em janeiro de 2001 em Porto Alegre)
http://www.dieese.org.br
(O DIEESE, Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, é uma criação do movimento sindical brasileiro. Foi fundado em 1955 para desenvolver pesquisas que fundamentassem as reivindicações dos trabalhadores. Ao longo de 50 anos de história, a instituição conquistou credibilidade, nacional e internacionalmente. Publica regularmente notícias sobre os direitos dos trabalhadores)
http://www.fepolitica.org.br
(O Movimento Nacional Fé e Política foi criado em junho de 1989, durante um encontro de pessoas unidas pela Fé cristã engajada nas lutas populares, com o objetivo de alimentar a dimensão ética e espiritual que deve animar a atividade política)
http://www.intervozes.org.br
(Coletivo Brasil de Comunicação Social. Em atividade desde 2002, o Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social é uma organização que trabalha pela efetivação do direito humano à comunicação no Brasil. Para o Intervozes, o direito à comunicação é indissociável do pleno exercício da cidadania e da democracia. Uma sociedade só pode ser chamada de democrática quando as diversas vozes, opiniões e culturas que a compõem têm espaço para se manifestar)
http://www.direitoacomunicacao.org.br
(Observatório do Direito à Comunicação - ligado ao Coletivo Intervozes. Em funcionamento desde fevereiro de 2007, o Observatório do Direito à Comunicação é um portal que produz informação e estimula o debate sobre a comunicação no Brasil. O projeto tem como objetivo central criar um ambiente de acompanhamento e reflexão sobre o campo da comunicação, entendendo esta como um direito humano)
http://passapalavra.info
(Passapalavra - portal de esquerda com notícias e opinião, a partir do Brasil e de Portugal. Jornal on-line do Coletivo Passa Palavra, um grupo de orientação anticapitalista, independente de partidos e demais poderes políticos e econômicos, formado por colaboradores de Portugal e do Brasil, cujo intuito maior é o de construir um espaço comunicacional que contribua para a articulação e a unificação prática das lutas sociais. Notícias, artigos opinativos, cartuns, denúncias, vídeos, áudios, debates e outros materiais informativos de produção própria, visando a construção de uma rede de solidariedade e colaboração entre todos aqueles que lutam contra as injustiças sociais)
http://www.mst.org.br
(Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - Informações e dados sobre as conquistas, realizações, esforços e projetos nas áreas de educação e produção, além de textos que revelam o reconhecimento da sociedade ao MST, com prêmios e homenagens em nível nacional e internacional. Notícias sobre Reforma Agrária e conflitos no campo, agronegócio, etc.)
http://amigosenff.org.br/site
(Portal Oficial da Escola Nacional Florestan Fernandes, um dos espaços mais importantes de formação intelectual e política de esquerda no Brasil. Todo o conteúdo produzido no site é livre para reprodução)
http://www.ajd.org.br
(Associação Juízes para a Democracia - A AJD realiza a defesa intransigente dos valores próprios do Estado Democrático de Direito, na defesa abrangente da dignidade da pessoa humana, na democratização interna do Judiciário - na organização e atuação jurisdicional - e no resgate do serviço público - como serviço ao público - inerente ao exercício do poder, que deve se pautar pela total transparência, permitindo sempre o controle do cidadão)
http://www.abong.org.br
(A Associação Brasileira de Organizações não Governamentais - ABONG, fundada em 10 de agosto de 1991, é uma sociedade civil sem fins lucrativos, democrática, pluralista, antirracista e anti-sexista, que congrega organizações que lutam contra todas as formas de discriminação, de desigualdades, pela construção de modos sustentáveis de vida e pela radicalização da democracia)
http://portalctb.org.br/site
(Portal da Central dos Trabalhadores do Brasil - CTB. Notícias de interesse dos trabalhadores e dos movimentos sociais)
http://xocensura.wordpress.com
(Blog de um movimento pela liberdade de expressão, de ação, de pensamento, de vida. Acreditam que inclusão digital dará voz aos excluídos, um novo discurso, uma nova realidade levará a sociedade Brasileira a um entendimento sem precedentes da sua "camada oculta”)
http://www.conversaafiada.com.br
(Site do jornalista Paulo Henrique Amorim - opinião corrosiva contra o 'PIG' - Partido da Imprensa Golpista. Amorim é um dos mais ferrenhos combatentes contra o monopólio dos grandes grupos empresariais sobre os meios de comunicação social e defende o que chama 'Lei de Meios', ou seja, a regulamentação e controle social sobre os veículos de comunicação)
http://www.viomundo.com.br
(Site do correto jornalista Luiz Carlos Azenha, cujo lema é: "O que você não vê na mídia". Progressista, fonte confiável e livre de bom jornalismo, isento, crítico e equilibrado)
http://www.rodrigovianna.com.br
(Blog chamado 'O Escrevinhador', do competente jornalista Rodrigo Vianna. Excelente fonte de informação, crítico à grande imprensa e apoiador do campo progressista)
http://www.baraodeitarare.org.br
(Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé - Órgão de defesa dos blogs e sites independentes. Excelente espaço de ativismo de esquerda na Internet. Órgão responsável pelo surgimento dos Encontros Estaduais, Nacionais e Mundial de Blogueiros, este último ocorrido entre 27 e 29 de Outubro de 2011. Responsável pelo ativismo progressista na Internet)
http://www.ciranda.net
(Ciranda Internacional de Comunicação Compartilhada. A Ciranda nasce em 2001 como iniciativa colaborativa entre mídias e articulistas independentes. É um conceito surgido no primeiro FSM, como a primeira proposta de "comunicação compartilhada", e um lugar de convivência e ação entre jornalistas e comunicadores/as sociais que participam do universo do Fórum. Desde então tem sido espaço de diálogo comum e estimulador de novas experiências compartilhadas)
http://www.controversia.com.br
(Controvérsia. Portal de Opinião de esquerda. O CONTROVÉRSIA se propõe a ser um espaço de debates e discussões sobre questões contemporâneas através de materiais diversos que superem o senso comum e o pensamento único)
http://www.reid.org.br
(Revista Internacional de Direito e Cidadania - Conteúdo pode ser reproduzido. Publicação quadrimestral do Instituto de Estudos Direito e Cidadania -IEDC, impressa, mas totalmente disponível na internet)
http://www.desaparecidospoliticos.org.br
(O Centro de Documentação Eremias Delizoicov e a Comissão de Familiares dos Mortos e Desaparecidos Políticos organizaram e desenvolveram o site 'Desaparecidos Políticos'. O objetivo é divulgar as investigações sobre as mortes, a localização dos restos mortais das vítimas da ditadura e identificar os responsáveis pelos crimes de tortura, homicídio e ocultação dos cadáveres de dezenas de pessoas durante o período da ditadura militar no Brasil - 1964/85. Também divulga notícias sobre direitos humanos no Brasil e no mundo, particularmente na América Latina).
http://cumpra-se.org/quem-somos
(Blog da campanha "Cumpra-se!" sobre direitos humanos e a reparação às famílias de mortos e desaparecidos políticos no Brasil. Tem um excelente link para diversos órgãos ligados aos Direitos Humanos, com notícias e informações sobre o tema, legislação, etc.)
http://www.armazemmemoria.com.br
(Armazém Memória - O Armazém Memória é uma iniciativa de construção coletiva de um sítio na Internet, visando colaborar para o desenvolvimento de políticas públicas, que possam garantir ao cidadão brasileiro o acesso à sua memória histórica, através de Bibliotecas Públicas Virtuais. Busca reunir de forma digital; coleções de periódicos, depoimentos, livros, vídeos, áudios, artigos, documentos e imagens; obra de natureza histórica, jurídica e educativa, com foco nos direitos humanos)
http://www.dhnet.org.br
(DHnet - Rede de Direitos Humanos & Cultura é produto de um grupo de ativistas de direitos humanos, que no ano de 1994 iniciaram estudos sobre Direitos Humanos e Realidade Virtual. Em 1º de maio de 1995, dia do Trabalho e da entrada oficial do Brasil na INTERNET, foi colocado no "ar" o BBS Direitos Humanos & Cultura, que dois anos após, tornou-se a Rede DHnet, com os seguintes Macro-Temas: Direitos Humanos; Desejos Humanos; Cibercidadania; Memória Histórica; Educação & Direitos Humanos e Arte & Cultura)
http://www.institutojoaogoulart.org.br
(O Instituto Presidente João Goulart pretende estimular a pesquisa histórica e a reflexão sobre o processo político brasileiro, na esperança do resgate da memória de Jango, em prol da soberania na condução do Estado, pela independência da agenda pública e a preservação da cultura e dos bens nacionais)
http://www.zequinhabarreto.org.br
(Site do Instituto Socialismo e Democracia José Campos Barreto – O nome é uma homenagem a Zequinha Barreto, morto juntamente com o Capitão Lamarca, no sertão da Bahia, em 1971. O site divulga notícias em geral do interesse da esquerda popular e democrática. Também mantém um banco de dados sobre a história da resistência à ditadura (1964-1985), uma Biblioteca e uma DVDteca, com ênfase em História, Política e Ciências Sociais, junto ao Sindicato dos Químicos de Osasco-SP.
http://www. revistamissoes.org.br
(Site da Revista – A revista MISSÕES, editada pelos missionários e missionárias da Consolata no Brasil, é um meio de informação e formação que visa animar missionariamente a Igreja e a sociedade, oferecendo subsídios pastorais, espirituais, sociais e culturais. Seu público alvo são os cidadãos em geral, as famílias, os jovens e os agentes de pastoral das comunidades cristãs..
[Fonte: http://www.fatoexpresso.com.br - Jornal Online de linha progressista - todo o conteúdo é livre, inclusive o reproduzido de outras fontes. Base regional na Grande SP, mas também com noticiário Nacional - reproduz artigos de Leonardo Boff].

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Visão sobre os povos indígenas do Brasil

1. A sabedoria indígena em face às mudanças sociais

Os povos indígenas transitam pelos espaços da produção dos saberes, são suas aldeias. Ali nascem seus discursos, danças, ritmos, dúvidas, certezas, buscas, desconfianças. Ali nascem suas filosofias, teologias, sociologias... indígenas.

Os povos indígenas fazem parte do cosmo e do universo. A natureza, os rios, os igapós, as cachoeiras, as diversidades de vidas existentes na natureza, as diversidades de florestas constituem seus centros de pesquisas, construções de saberes. Interagindo com as vidas humanas e outras vidas, os povos indígenas crescem juntos. Continuamente constroem a qualidade de vida, bem estar e o bem viver.

Os mais antigos pensadores gregos diziam que os filósofos são amigos da sabedoria. A categoria existencial, ser amigo da sabedoria, é o elemento que perpassa em todas as culturas humanas. Os indígenas possuem muitos saberes que sustentam suas vidas, suas histórias e seus projetos de vida. Infelizmente, entre os não indígenas, poucas pessoas percebem e compreendem os saberes indígenas.

Diante das realidades em constantes mudanças, estão exigindo dos indígenas respostas e adequações a essas situações novas que os afetam direta ou indiretamente, fazendo com que eles tenham que encarar a existência deles juntamente com outras vidas.

Podemos até falar de uma Filosofia na Amazônia. Mas para isso, nós que conhecemos um pouco daquela “filosofia tradicional”, nós que já fizemos contatos com os Filósofos das escolas ocidentais reconhecidas, precisamos deixá-las um pouco de lado, para perceber e compreender como os povos indígenas organizam e compreendem as suas histórias.

Nos mundos indígenas encontramos os sábios benzedores, cantores, dançadores, pajés e pensadores. Eles continuamente estão afirmando: antigamente o mundo não era assim; os indígenas não eram assim. A constatação dessas mudanças faz com que estes sábios repensem suas próprias interpretações sobre as vidas, histórias e acontecimentos. Assim surgem novos pensadores. Em todas as culturas humanas existem os pensadores, os sábios, os sabedores. Nós precisamos mesmo de novos pensadores. Se não tivermos essas figuras pensantes nós vamos ser levados para quaisquer lugares, para horizontes sem pontos de chegadas, caminhos sem retorno.

Nos mundos indígenas os saberes e discursos sobre as diversas realidades são produzidos nas conversas do dia a dia e nas festas. Os homens sentados em seus banquinhos baixinhos, banquinhos que simbolizam o banco da vida, conversam sobre as vidas. Falavam assuntos sérios e em seguida intercalavam com histórias engraçadas, piadas que lhes provocavam gostosas gargalhadas. Assim é que são produzidos bons discursos, boas reflexões sobre as mudanças de épocas e o que nós homens deveríamos fazer no mundo atual. Eles se lembram de homens do passado e suas histórias; falavam de nós que estudamos nas escolas e universidades; falam de povos não indígenas e o que eles provocam no mundo; falam deles mesmos, viventes desses lugares onde florescem diversos saberes.

Os sábios não ficam se agredindo verbalmente nem por gestos uns aos outros como nós muitas vezes tendemos fazer, tentando impor nossos saberes aos outros.

As mulheres sábias se fazem. Diariamente, acordando bem cedo para banharem-se. Assim elas cultivam as sabedorias ancestrais de mergulhar nas águas fortificantes das madrugadas. Em seguida pacientemente, no ritmo do fogo se acender, da água se esquentar produzem os segredos da vida. Elas preparam o beiju, mingau, elementos nutritivos infalíveis entre as comunidades indígenas. Depois vão às roças, percorrem longos caminhos e outras vezes vão remando até chegarem aos lugares de seus trabalhos. Caminhando entre as fruteiras, limpando a roça, limpando a mandioca, estão construindo os saberes que seus antepassados começaram.

Os índios reconhecem que as diversidades culturais são riquezas, riquezas do universo e patrimônios da humanidade. Para eles, a pertença aos povos indígenas é garantia de identidades e sinal das diferenças. As identidades ajudam-lhes a saberem quem eles são, como estão se construindo e como estão construindo suas histórias. As diferenças os ajudam a reconhecer que eles são eles, porque existem os outros, com seus saberes, conhecimentos...

Estar numa terra é estar em casa. Mesmo assim, não se furtam do “olhar do outro”, pois não se acham donos da verdade sobre eles mesmos e sobre o que querem e para onde querem caminhar.

Enfim, eles possuem a consciência de viverem num período de profundas mudanças, e desse modo deverão procurar construir diferentemente suas vidas, histórias e projetos de vida, interagindo com a pluralidade de culturas, línguas, costumes, saberes, projetos, gêneros... A sabedoria lhes dá a consciência de estarem vivendo em sociedades plurais, complexas, onde aparecem múltiplas reações e ações, complexas posturas pessoais e institucionais. Essas realidades os desafiam a construir múltiplos projetos, múltiplas respostas, múltiplas soluções para o mundo que está mudando.

Um indígena Tuyuka, com Mestrado em Educação, assim dizia sobre a realidade educacional que eles enfrentam no momento: “Atualmente muitas crianças indígenas não falam mais a línguas indígenas. A televisão, os aparelhos de sons que tocam músicas, aparelhos de DVDs que mostram os filmes e músicas influenciam fortemente na construção de outras visões sobre o mundo e a vida. Já estamos dentro da era da internet, do Orkut, de Messenger, Facebook, Badoo, etc. Nas sedes de municípios do Rio Negro – AM, os jovens usam celulares, com eles tocam músicas, ouvem sons pondo fone de ouvido. Os jovens do interior levam MP3,4, etc. Muitos ouvintes de músicas desses aparelhos tornam-se surdos para os outros. Deixam qualquer pessoa ficar gritando para ver se lhe ouvem”...

2. Os Indígenas na Mídia

Vamos fazer agora uma contraposição falando da imagem do índio veiculada pela mídia e, sobretudo pela televisão. Nesse caso, trataria de mostrar a visão do civilizado sobre os povos considerados “selvagens”, justamente pela falta de um verdadeiro conhecimento sobre quem são eles.

Quem realiza pesquisa e mais do que isso, convive mais proximamente com as chamadas “nações indígenas” constata muita ignorância da mídia no modo de tratá-los. No que diz respeito à TV, por exemplo, sabemos que ela é movida por interesses de grupos de poder e interesses de mercado em função do lucro. Ora, índio não significa nada dessas duas coisas!

Por isso, vemos constantemente sendo repetidos os padrões de REDUCIONISMO, como se houvesse somente um tipo de índio no Brasil. O que não é verdade. Hoje, sobrevivem ainda cerca de 400 etnias diferentes no Brasil e em condições e com culturas bem diferentes. Isso dito representa anos e muitas décadas de quase uma “hipnose coletiva”, realizada pela mídia que, quando não distorce, desvaloriza a questão “identitária” na construção da imagem do índio brasileiro.

Essa questão da distorção foi largamente difundida por uma das maiores indústrias de construção de imagem que foi Hollywood, nos seus westerns, nos filmes de bang-bang, nos quais os indígenas significavam uma espécie de “entrave” a ação exploratória e civilizatória do branco colonizador. Alguma coisa começou a ser modificada nessa visão de uns tempos para cá, quando surgiram filmes baseados em outros paradigmas como foi o “dança com Lobos”, “Enterre meu coração na curva do rio”, e mesmo aquela saga moderníssima de “Avatar” que não deixou de alfinetar a mentalidade belicista e destruidora dos sonhos dos povos em harmonia com a natureza.

O que se passa é que evidentemente, não existe um só tipo de índio. Toda comunidade, no exercício da sua liberdade de ser, é construtora da sua própria especificidade, ou seja, da sua própria identidade, fator esse que lhe garante um modo de ser e estar no mundo. O que acontece é que o poder majoritário, pouco ou nada tolera o convívio com a diversidade, e consciente ou inconscientemente, trata de sufocá-la, no seu desejo frenético de igualar a todos aos seus padrões e aos seus valores. Coloca-se a cultura indígena num liquidificador, transformando aquilo tudo numa “pasta” que só ajuda acontecer uma coisa: a manutenção da ignorância nacional. No entanto, é a cultura diferenciada que faz a riqueza dos povos indígenas.

Com a chegada da internet pode estar havendo uma quebra desse perfil único. Existem grupos que já usam a internet para refazer essa visão a partir de seu próprio modo de ver as coisas, a partir do seu próprio olhar, o que – diga-se de passagem – pode ser muito mais importante do que a visão que nos fornece um antropólogo ou um historiador a esse respeito.

A TV Brasil é uma das únicas que está abrindo espaço para a veiculação de documentários realizados pelos próprios indígenas, realizando o que chamaríamos de “democratização dos meios de comunicação”. Mas nas TVs comerciais não passa absolutamente nada nesse sentido. Para essas, índio não é ninguém. Só vira manchete quando pega fogo ou quando é encontrado bêbado caído na sarjeta.

Verenilde Pereira, jornalista e pesquisadora da UnB, diz que a mídia impressa e as mídias de modo geral, trabalham com LACUNAS. Essas lacunas, não são lacunas quaisquer. Elas não conseguem aprender e não se preocupam com a singularidade desses povos. É uma questão grave porque anula a alteridade. Se o jornalismo faz uma representação dos fatos e episódios de modo a ser o mais verossímil possível, nessa questão ele subtrai a informação. Não sabemos o que faz um Pataxó ser Pataxó e o que o faz ser diferente de um Krenac. Que tipo de representação é essa que não capta a singularidade do sujeito ou de determinado grupo social? Qual seria o impacto dessa homogeneização? Uma figura abstrata. Um “Indio Genérico”.

No entanto, contam-se 246 nações indígenas, cerca de 800 mil indígenas e 140 línguas distintas (que não são gírias, têm lá suas estruturas próprias...).

Uma das situações mais precárias é a dos povos Guarani Kayowá – MS. De 2000 até 2005, o índice de suicídio era de 50 índios por ano. Para praticá-lo, não usam nada cortante. Se enforcam ou se envenenam. Até crianças o fazem. Estão vivendo praticamente em favelas. É uma situação dramática. A força da negação da cultura deles os tornaram subempregados dos canaviais. E isso raramente ou quase nunca se encontra reportado na imprensa nacional, ou seja, a situação degradante de um povo que certamente já foi muito numeroso e muito digno e que se constituem, pela constituição federal, cidadãos brasileiros, se encontram hoje em situação de penúria.

Os Guaranis estão sempre em “busca da terra sem males”. É um grupo de indígenas que cultiva muito a mística, a espiritualidade. Eles usam o termo “gejuvi” para o suicídio. Essa palavra significa; “palavra presa”. Vejam bem: sentem-se na sociedade como que “engasgados”, “impedidos de ser o que são”. O que me faz lembrar muito de Paulo Freire quando dizia que somos um “povo de silenciados”. Eles não se cortam, não se mancham, muitos tomam banho e se perfumam antes de praticar o ato final. Faz isso como se fossem para um ritual. Em busca do único modo que lhes restou para alcançarem a terra dos sonhos...

A falta de uma sensibilidade maior do jornalismo para perceber essa singularidade é a permanência do “estereótipo”. O estado brasileiro com maior concentração de índios é Roraima. Lá a visibilidade maior era dada quando eles lutavam pelas suas terras, mas pelo número de etnias presentes lá, deveriam ter muito mais espaço do que realmente conseguem ter. Ele aparece na mídia quando sofre ou quando pratica violência. Nunca é mostrado como sujeito de caráter no seu cotidiano.

Esse estereótipo é ainda muito presente na educação. No dia do índio, por exemplo, se há uma festinha na escola, geralmente as crianças se vestem de apache nos moldes norte-americano...

Entre as décadas de 60 a 80, quando o conflito de terra pipocava, a fala do índio era interditada. Nos nossos dias, se vê mais a questão indígena nas reportagens, mas é ainda uma fala fragmentada. A revista “Veja” no ano passado, publicou um artigo intitulado: “A farsa da antropologia oportunista”, ridicularizando os índios.

E qual é a imagem dos indígenas na dramaturgia? Enquanto o negro é visto sempre como o serviçal, mais “integrado” na casa do patrão, o índio é o sujeito obtuso, que não sabe falar, que não seve para nada, que não pensa... O alcance disso é enorme no inconsciente coletivo.

Há uma lei que vai incluir o ensino da história dos negros e dos indígenas na escola. Quem sabe isso consiga trazer, a médio e longo prazo, alguma mudança de mentalidade. Mas o “deseducação” que a mídia faz hoje nesse aspecto, reforça o preconceito e o desconhecimento que gera os estereótipos que continuam servindo aos dominadores. O índio precisa ser sujeito da sua própria fala, enquanto a TV faz o deboche: na escolinha do professor Raimundo fez o deboche, continua fazendo na Escolinha do Gugu, o Programa do Pânico trata a mulher indígena como objeto sexual e assim por diante... Acontece que a TV também chega nas aldeias e podemos imaginar o efeito disso na mente das próprias crianças de lá...

A principal demanda do movimento indígena brasileiro atualmente é pela educação. Eles têm consciência que devem chegar até às Universidades para que possam melhor estruturar suas demandas frente ao Estado. Começamos a ter os 1os. advogados, os profissionais na área de saúde e de manejo florestal.

Os indígenas disputam a “cota” com os negros. Se hoje se chegou a esse patamar de termos índios com curso superior, com mestrado e até com doutorado, foi porque houve um planejamento anterior realizado pelas próprias comunidades. Não foi por razões de política e de planejamento governamental.

Existe hoje uma indígena ocupando a cadeira de educação indígena no Conselho do MEC (Rita Potiguara). Ela está lutando por bolsas e para que os financiamentos avancem. Mas os indígenas universitários dizem que a passagem deles pelas universidades não é uma coisa tranqüila. Acontece que as escolas não estão isentas de preconceitos. Alguns desistem porque não conseguem se manter. Sentem-se como extraterrestres. A presença de um estrangeiro, por vezes, é melhor aceita do que a presença de um índio. O mesmo acontece nas narrativas de novelas onde aparecem os turcos, os portugueses, os italianos que são bem naturalmente aceitos.

3. Os Indígenas na política desenvolvimentista do Estado

Por não dispormos de muito tempo, vou apenas pontuar aqui alguns episódios que nos auxiliam para que cada um tire suas próprias conclusões de como foi e como está sendo tratada a questão indígena hoje no Brasil, em tempos de política neoliberal:

- Na década de 60 as denúncias internacionais de esquartejamento de indígenas, o envenenamento de grupos indígenas e a invasão de suas terras e espoliação dos recursos naturais, fez com que delegações internacionais viessem ao Brasil e comprovassem as denúncias, que acabou com a extinção do SPI (Serviço de Proteção aos Índios) e criação da Funai.

- Hoje os esquemas são outros, mais sofisticados. São as usinas de açúcar e etanol, são os mega projetos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), como a hidrelétrica do Xingu. A invasão não vem de transamazônicas ou da Perimetral Norte, ou da Rodovia Norte-Sul, que exigia a retirada dos indígenas, isolados ou não, para que as estradas do progresso e da morte passassem.

- Na época se denunciava os períodos da caça aos índios, com a expansão e o milagre que governos da ditadura militar anunciavam como progresso. Os índios eram considerados, empecilhos, cancros, obstáculos a serem removidos. Quem diria que um dia se voltassem a esses tempos, com outras roupagens. A ditadura do capital financeiro, as grandes multinacionais repetem a triste história.

Os acampamentos indígenas são a face mais perversa e nefasta da política de setores políticos e econômicos regionais, que tem se posicionado de forma obstinada e intransigente contra o reconhecimento das terras indígenas.

- Todos esperavam que com uma mulher ocupando o cargo da presidência teríamos um governo com maior sensibilidade às causas humanitárias. Passados já os 10 meses de mandato algo é possível dizer, mas concluam os senhores mesmos mediante alguns fatos ligados a sua ação governamental em direção ao que podemos chamar aqui de “os últimos dos últimos”:

- Roberto Antonio Liebgott, graduando em Direito pela PUCRs é missionário leigo, atuando no Cimi Regional Sul - Equipe Porto Alegre. Ele nos diz o seguinte:

“Pode-se dizer que o projeto desenvolvimentista da presidente avança, inclusive, para além das fronteiras nacionais. Não foi à toa que recentemente o governo Dilma emitiu nota, através do Itamaraty, defendendo a construção de uma estrada na Bolívia. Contrariando interesses dos povos indígenas daquele país, que marcham e lutam contra a obra e não aceitam que esta rasgue as suas terras. Apesar de todos os protestos o governo brasileiro saiu em defesa da estrada a ser construída na Bolívia e que terá origem em Porto Velho - Brasil. Seria uma manifestação de interesse altruísta ao projeto de desenvolvimento de boliviano? Não exatamente! A explicação é bem mais rentável do que parece: a estrada, orçada em US$ 415 milhões, é financiada com recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), e vem sendo construída por uma das maiores empreiteiras privadas com sede no Brasil, a OAS”.

- Fartura de recursos para investimentos, para empreendimentos, para financiamento de grandes projetos, penúria para a maioria da população, para quem se destinam precárias ações de assistência em saúde, educação, segurança e algumas políticas compensatórias destinadas através de bolsas.

- A presidente fez uso de Medida Provisória para reduzir limites de parques ambientais, determinou a liberação de licença para desmatamento na região onde pretendem construir os canais da usina de Belo Monte e ao cobiçado complexo hidroelétrico do Rio Tapajós, bem como fez vista grossa à aprovação do novo Código Florestal na Câmara dos Deputados. Um começo e tanto para apenas dez meses de governo! Podemos supor quantas clareiras serão abertas e quantas florestas tombarão para deixar passar o bonde desenvolvimentista.

- À guisa de conclusão eu relataria apenas aqui a palavra de Egon Dionísio Heck, Assessor do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) Mato Grosso do Sul quando dizia que: “Só com intensa mobilização e denúncia nacional e internacional se conseguirá reverter esse absurdo quadro anti-indígena”.

No que diz respeito ao poder midiático, é preciso encontrar espaços alternativos para que o índio possa ser ‘protagonista” da narração da sua própria história, a fim de que a sociedade como um todo, possa sair da sua ignorância sobre quem são eles de fato. Uma informação: agora em dezembro próximo será lançada uma Rede de Cultura Indígena na Internet, o que pode significar mais um ponto de apoio na preservação das identidades desses vários povos que seguem lançando suas flechas rumo a tempos que lhes sejam mais favoráveis...

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Processo Seletivo 2012



ENTÃO GALERA:

DIA 11 DE DEZEMBRO – DOMINGO – É O DIA DE MUDAR SUA VIDA!

Escolha fazer uma coisa diferente, que pode mudar seu destino!

Muita gente já fez essa escolha e REALMENTE mudou. Hoje são muitas pessoas trabalhando em bons cargos, nas mais diversas empresas; sem sair de nossa região. Já pensou? Ganhar bem, ser reconhecido e ainda morar no lugar onde a gente vive hoje!

É... porque SP, Rio e outras grandes cidades estão uma barra! A gente vai e acaba voltando, pois aqui é nossa terra.

Então, vamos fazer o vestibular da FACULDADE PRESIDENTE ANTONIO CARLOS DE BAEPENDI?

Você pode escolher Administração ou Pedagogia! As áreas que mais crescem no momento.

Vai ser no domingo, dia 11 de dezembro, das 9 às 12 horas no Colégio Sto. Inácio em Baependi.

Veja no site www.unipac.br – opção BAPENDI para fazer sua inscrição ou ligue para

35 3343 3161, na Secretaria da Faculdade, a partir das 15 horas até às 21 horas de segunda a sexta e fale com a Ana Carla.

Cursos reconhecidos pelo MEC!

APROVEITE PARA MUDAR SUA VIDA!

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Que pena que foi pouco comentado!

Essa magnífica atitude do Bispo de Fortaleza, digna de todos os elogios, deve ser repassada para todo pessoal de sua lista, formando um corrente no sentido de que todos internautas tomem conhecimento desse gesto,de enorme alcance moral, muito raro nos dias atuais.

Brasília - Uma solenidade de entrega de comenda no Senado terminou em constrangimento para os parlamentares que estavam em plenário. Em protesto contra o reajuste de 61,8% concedido a deputados e senadores na semana passada, o bispo de Limoeiro do Norte (CE), dom Manuel Edmilson Cruz, recusou-se a receber a Comenda dos Direitos Humanos Dom Hélder Câmara.

Em discurso, ele destacou a realidade da população mais carente, obrigada a enfrentar as filas dos hospitais da rede pública. "Não são raros os casos de pacientes que morreram de tanto esperar o tratamento de doença grave, por exemplo, de câncer, marcado para um e até para dois anos após a consulta".

Dom Manuel da Cruz lamentou que o Congresso tenha aprovado reajuste para seus próprios salários, da ordem de 61,8%, com efeito cascata nos vencimentos de outras autoridades, "enquanto os trabalhadores do transporte coletivo de Fortaleza mal conseguiram 6% de aumento em recente luta por elevação salarial", disse. O bispo mencionou também as aposentadorias reduzidas, o salário mínimo que cresce em "ritmo de lesmas".

Comenda

Ao recusar a comenda, o bispo foi taxativo: "A comenda hoje outorgada não representa a pessoa do cearense maior que foi dom Hélder Câmara. Desfigura-a, porém. De seguro, sem ressentimentos e agindo por amor e com respeito a todos os senhores e senhoras, pelos quais oro todos os dias, só me resta uma atitude: recusá-la".

Nesse momento, quando a sessão era presidida por Inácio Arruda (PCdoB-CE), autor da homenagem, o público aplaudiu a decisão.

Após a recusa formal, o bispo cearense acrescentou que "ela é um atentado, uma afronta ao povo brasileiro, ao cidadão contribuinte para o bem de todos com o suor de seu rosto e a dignidade de seu trabalho".

Ele acrescentou que o reajuste dos parlamentares deve guardar sempre "a mesma proporção que o aumento do salário mínimo e o da aposentadoria".

Dom Edmilson Cruz afirmou que assumia a postura com humildade, sem a pretensão de dar lições a pessoas tão competentes e tão boas".

Diante da situação criada, o senador José Nery (Psol-PA) cumprimentou o bispo pela atitude considerada "coerente" com o que pensa.

"Entendemos o gesto, o grito e a exigência de dom Edmilson Cruz que, em sua fala, diz que veio aqui, mas recusará a comenda Dom Helder Câmara. Também exige que o Congresso Nacional reavalie a decisão que tomou em relação ao salário de seus parlamentares", acrescentou o senador paraense.