Ambiente interativo de apoio subsidiário, de contato permanente e enriquecimento de encontros do educador, no magistério e no âmbito das artes.
quinta-feira, 11 de março de 2010
quarta-feira, 10 de março de 2010
MafraAtelier I
Título: Aves no pantanal Técnica: òleo sobre tela Propriedade: Marcondes Ximenes Ano: 2009
Título: "Mama África" Tamanho: 1.00x80 Técnica: Mista Ano: 2009 - À venda
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
UM OLHAR SOBRE A CIDADE
Com a chegada dos tempos novos, escapa-nos a consciência de pertença a uma comunidade. Vamo-nos acostumando aos aglomerados, sem identidade própria, sem um colorido específico. É a famosa terra donde tudo já teve, mas pouco permaneceu e prosperou... Os conterrâneos que tiveram que “cavar” o sustento em outras terras, quando retornam se surpreendem: “Como a cidade está feia...”. “Meu Deus, quantos buracos nas ruas!”; “Entupida de carros e com calçadas tão estreitas...”; “Não existe opção de estacionamento gratuito”; “Como o mato cresce por aí”; “O sistema de saúde está complicado”... Isso sem falar no que diz respeito à criminalidade juvenil que, não raro, vem estampada nas primeiras páginas dos jornais com nomes e rostos que denunciam de onde mais proliferam as nossas maiores deficiências sociais.
Visitem os projetos sociais e pasmem pela complexidade dos problemas vividos por crianças, adolescentes e jovens e dos apuros pelos quais passam aqueles que cuidam desses serviços... Não me sai da mente o rostinho de uma menininha que chegando a um desses projetos, dizia à assistente que tinha tomado “tinga” (deduza você mesmo que bebida seria essa). A responsabilidade não recai somente nas mãos das autoridades. Sabemos da dificuldade que os municípios hoje passam para “angariar” recursos públicos. O Estado absorve a maior parte deles, favorecendo uma política do “chapéu na mão”.
A respeito da estética urbana eu até ousaria uma chamadinha de atenção, não fosse a movimentação que já percebo na operação “tapa-buracos”. A mínima coisa que o cidadão pagador de impostos requer, são ruas bem pavimentadas e transitáveis. Sabendo disso, qualquer bom administrador haveria de convocar uma comissão permanente de “tapadores profissionais”, na certeza de que só com esse trabalho simples, já estaria angariando para si a simpatia de boa parte da população.
Existem outras medidas que não necessitariam de um grande montante de dinheiro para embelezar a cidade. Às vezes, uma solução simples e bem planejada é o suficiente para resolver certas questões que vão sendo roladas e deixadas para um depois que nunca chega. Usando aqui uma expressão da Ilze Garcia: ”Toró de parpite”, permitam-me elencar alguns que sempre me ocorreram:
- A ponte dos boiadeiros é um monumento histórico que realmente precisa ser preservado. Para transformá-la em ponto turístico da cidade, creio que bastaria tão somente uma boa injeção de cimento, uma estátua com a temática feita pelo nosso artista escultor Afonso Barra e uma bela placa comemorativa com um poema do Darcy. Feito isso, ela poderia ser aberta ao menos para os ciclistas...
- A economia solidária é uma experiência através da organização de trabalho coletivo, sejam em associações ou cooperativas, cujo convívio constrói além da renda, um ideal de vida mais autônoma, inclusive com a possibilidade de promoção da mulher. É muito bom encontrar um pastelzinho frito na hora no Mercado Municipal (dizem até que existe clube de amigos que se reúnem por lá), mas é pena, pois ele poderia se prestar a muito mais, incentivando o pequeno produtor rural, evitando o desperdício e abastecendo o consumidor com alimentos mais saudáveis e mais baratos. Dessa função o Mercado se esqueceu. Vamos ficar só pastel?
- Já que estamos por perto, olhemos a nossa “Praça de Esportes”. Ela não mereceria ser reformada e ativada, sobretudo, tendo em vista o lazer dos professores da rede municipal de ensino? Como seria legal ver os filhos dos educadores aproveitando um domingo ensolarado!
As idéias são muitas, não há espaço para descrevê-las em detalhes aqui. Nesses tempos em que energia é vital para o desenvolvimento, penso que qualquer administração com visão de futuro, estaria ligada nas novas formas de obtenção de energia limpa, ou seja, aeólica e solar... Mas acho que isso já é sonhar demais... Por fim, projetar o “Memorial Pelé” colocando-o bem próximo ao projeto de uma nova rodoviária, não seria uma obra tão fora de propósito, não é mesmo!? Aliás, isso, sem que se gastasse muito, já poderia estar acontecendo.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Alguém viu o Avatar por aí?
Lá se foi mais um. Dizem que o ano passou muito rápido. Ou não seria a dinâmica desenfreada desses tempos cibernéticos que fazem aumentar por demais essa nossa percepção? Mas não adianta mesmo: “o novo sempre vem”... e o velho, às vezes cai. Enfim, terminar o ano assistindo Avatar na telona foi uma ótima pedida. Em 3D então, uma maravilha! Eu diria uma glória para o cinema contemporâneo. Ficou mesmo aquela sensação de ter sido uma das melhores fitas “jamais vista na história desse país”, para usar a expressão de um ilustre personagem que também ganhou destaque na arte cinematográfica no ano que passou.
É claro que para produzir todo aquele entrelace de efeitos reais e virtuais, coube ao seu diretor James Cameron, esperar o tempo oportuno, o avanço da tecnologia adequada e o amealhar dos não poucos 500 milhões de dólares! Não pretendo reproduzir a sinopse do filme. Tudo é facilmente acessível na internet. Aliás, é interessante notar como a rede vem se tornando uma espécie de ante-sala, ou mesmo, fórum de discussão das significativas peças da indústria do audiovisual. Bem mais fácil do que tentar organizar um cineclube em nossa cidade, diga-se de passagem... É lá que a gente, ou se prepara, ou se aprofunda sobre o que nos interessou mais, deparando-nos com os outros que fizeram experiência semelhante a nossa, transformados agora, de mero público em ardorosos fãs.
Depois de nos transportar desse, para o imaginário mundo de Pandora, identificamo-nos com o ex-fuzileiro Jake Sully e vamos com ele filme a dentro. Acontece que ele, como a maioria dos comuns mortais, traz a marca de uma deficiência. A dele é resultante de outras batalhas que participou e que lesou-lhe as pernas, o que faz dele uma espécie de herói contraditório e paradigmático. Uma evocação a outros personagens mutilados pela guerra e pelo belicismo norteamericano, vistos já em outros filmes, lembra-se? Renascido em sua forma Avatar (palavra que dá a idéia de transformação), quem antes estava preso a uma cadeira de rodas, recebe um novo corpo – hibrido entre o humano desproporcional e o felino extremamente hábil. Ah! Prá que melhor?! Esse outro mundo é muito superior, ainda mais quando entra em cena a figura do feminino sensível: paraíso total!
Somos como ele, inebriados pelas belezas de um exótico território, em tudo ao nosso assemelhado, mas extremamente muito mais encantado. Como encantados também são esses seres chamados Na’vi , profundamente espiritualizados, visto que rezam e cantam, vivendo em perfeita sintonia com a natureza e comunitariamente bem dispostos, a exemplo dos tribais povos, exterminados pelas antigas armas e ideologias de conquista: os Sioux americanos, os Astecas dos Andes e os Tupis brasileiros.
Como ocorreu no passado e ainda hoje persiste, esse cenário de paz e harmonia é abalado pelas potentes armas de terror e destruição que irrompem em nome da conquista e da ganância humana, detonando essa “cosmovisão”, impondo-lhe no lugar, uma visão caótica. Tudo isso é magnificamente representado pela derrubada da gigantesca árvore ao redor da qual tudo gravitava. Essa “árvore-alma” pode ser somente árvore... (e come pipoca), mas pode ser também “Amazônia”, “Rio São Francisco”, a construção da “Represa Belo Monte”, o uso indevido dos agrotóxicos, etc...
Já dizem alguns, tratar-se de um filme divisor de águas. Os recursos da digitação gráfica são magníficos, mas o que concorre, a meu ver, para a sua relevância é a essência do conteúdo e o poder da sua esplendorosa metáfora fílmica. Tudo bem, se você quiser ir ao cinema buscando somente diversão e entretenimento, coma pipoca e divirta-se! Mas, acho um despropósito não absorvermos dele algumas lições civilizatórias. Sobretudo, nesses tempos em que se considera o tremendo fracasso da conferência sobre o meio ambiente realizada em Copenhague. Parecia mais uma torre de Babel. Nada foi acordado e tudo foi postergado. As chances agora de uma nova tentativa de acordo se voltam para a Cidade do México nesse 2010. A ausência de um compromisso mínimo faz aumentar o número daqueles que já consideram o enfrentamento da causa climática, uma causa perdida.
“Uma balela, essa questão de aquecimento global!” – já estão dizendo algumas vozes incomodadas, ao perceberem que o ecológico tem a ver com mudanças econômicas. Será que essas resistências só cederão quando estiverem com o caldo de lama entrando pelas suas ventas?
É por essas e outras que é preciso interpretar a mitologia cinematográfica de Avatar. O filme nos possibilita extrair dele muitas outras reflexões, pois o seu simbolismo é quase inesgotável.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
sábado, 14 de novembro de 2009
Nunca ouvi o Jabor falando besteiras.
Nunca vi uma análise tão lúcida, embora tão contundente. Mas, pasmem os senhores: a democracia que aí está não suporta tanto, e por isso, manda tirar comentários do quilate desse talentoso jornalista Arnaldo Jabor , do site da CBN. Estaríamos vivenciando uma espécie de censura às avessas? Ou seja, restringe-se abordagens de profundidade e mantêm-se o besteirol? Ainda bem que em tempos de internet , a “preciosidade” percorre agora ainda mais solta o seu curso, como o soar insistente de um despertador, ao mesmo tempo “chato” e ao mesmo tempo “previdente”, a dizer: “acorda”; “está na hora de se levantar”; “subestimam por demais a nossa inteligência”.
Transcrevo aqui só alguma de suas frases: “As palavras estão sendo esvaziadas de sentido. Assim como o stalinismo apagava fotos, reescrevia textos para contestar seus crimes, o governo do Lula está criando uma língua nova, uma neo-língua empobrecedora da ciência política, uma língua esquemática, dualista, maniqueísta, nos preparando para o futuro político simplista que está se consolidando no horizonte”. Outra: “A cada cassado perdoado, a cada negação do óbvio, a cada testemunha, muda, aumenta a sensação de que as idéias não correspondem mais aos fatos! Pior: que os fatos não são nada – só valem as versões, as manipulações”.
Lá pelas tantas um desabafo de quem por vezes se cansa de “tanto ver triunfar as nulidades”, como dizia o nosso Rui Barbosa: “Denunciar para quê, se indignar com quê? Fazer o quê?'.. A existência dessa estirpe de mentirosos está dissolvendo a nossa língua. Este neocinismo está a desmoralizar as palavras, os raciocínios. A língua portuguesa, os textos nos jornais, nos blogs, na TV, rádio, tudo fica ridículo diante da ditadura do lulo-petismo”.
E ainda mais essa: “Jornalistas e formadores de opinião sentem-se inúteis, pois a indignação ficou supérflua...” Aliás, vejam o que resultou do camuflado processo sobre a desqualificação da figura do profissional de jornalismo na sociedade brasileira... Se estamos em plena era da informação, seria óbvio supor tratar-se do tipo de profissional do qual se exigiria uma esmerada preparação acadêmica. No entanto, muitos jovens que tinham em mente seguir essa maravilhosa carreira, encontram-se hoje com os pés atrás. Talvez não fosse mesmo do interesse do governo, possibilitar uma formação de qualidade a esse profissional. Seria bem melhor que elas, inclusive, se preocupassem com os concursos de beleza, com bumbuns e estética corporal, como evidenciou o incidente com a universitária dos trajes provocantes em São Paulo. Jornalistas bons costumam ser argutos críticos sociais. Por incrível que pareça, abordagens que deveriam estar na pauta do dia, só chegam à discussão pública através dos programas cômicos, como o “Pânico na TV” , “CQC”, “O furo” do MTV, etc. Não vai aqui nenhuma depreciação em relação a esses programas, pelo contrário, eles as vezes nos salvam da mediocridade...
Os apagões, as crises econômico-financeiras e ambientais nos ensinam muito. Se houver ainda um pouco de bom senso, eventos como esses ajudar-nos-ão a colocar os pés na realidade, a olhar melhor para a sociedade na qual vivemos e descobrir que ela é feita de muitas fragilidades e inconstâncias. Não gosto do pessimismo, mas sou forçado a dizer: pode ser que os verdadeiros apagões ainda estejam por vir...
É estranho como esses esquemas repetem-se nos vários níveis, no geral e nas partes, nos macros e depois, vão descendo numa metástase contaminante, como que por tabela, até atingir os micros subsistemas dos organismos sociais. No estado e no município, a incúria, por vezes submerge, colocando às claras suas fragilidades e as insustentabilidades. É por demais preocupante a situação em que se encontra a nossa Universidade. Todos temos os nossos defeitos. Ninguém está imune aos erros provenientes das suas próprias limitações, por isso é preciso antecipar-se a elas com ações e tomadas de decisões colegiadas, com um ouvido ultra sintonizado nos reclamos do povo, estendendo canais de comunicação com os principais implicados nas temáticas, exercendo o poder com atitudes dialógicas, criativas e saneadoras.
Acho que é porque uma minoria consagrou uma tacanha e obsoleta postura política, que vai fazendo escola e engessando tudo dentro de uma visão muito restrita. Se soubéssemos como seria muito mais compensador uma outra forma de ver e fazer acontecer as coisas, a felicidade não seria algo assim tão distante dos nossos desejos e projetos. Ninguém teria receio de quem enxerga a partir de outros ângulos e foge da degeneração do pensamento único. A filosofia brasileira tem essa máxima para guardar: “A unanimidade é burra” – dizia Nelson Rodrigues.
O estado do Paraná acabou de realizar com brilhantismo a sua conferência de comunicação. Será que nós mineiros, tidos como tradicionais e conservadores, teremos também a nossa? Para fazer justiça ao presidente, termino dizendo da sua coragem em lançar esse debate necessário em todo o país. É urgente repensar aspectos essências da comunicação social no Brasil e a hora é agora.
Mestre em Comunicação Social pela PUG – Roma
http://mafraprof.blogspot.com.br/





